O ser humano carrega no seu inconsciente desde a infância desejos de ser isto ou aquilo, desejos de conseguir certas coisas, sonhos de amar e ser amado por alguém que tenha tal perfil psicológico, que chegue a vencer na vida ou simplesmente que seja um amoroso da natureza e dos homens.
Não estou falando destes sonhos simples dos meninos de ser um dia astronauta ou piloto de carro de corrida ou destes sonhos das meninas de casar com um homem famoso, um homem rico. Os desejos das crianças serão mais identificados dentro dos seus sonhos, suas fantasias. Nos sonhos encontra-se os desejos do sonhador livremente expressos tendo vencido a barreira das proibição. Nas fantasias a pessoa constrói realidades também sem barreira das proibições da realidade. A diferença entre os dois é que o sonhador não dirige seu sonho enquanto que o fantasiador dirige e constrói até um certo limite a realidade nova. A analise dos sonhos e das fantasias encontra os desejos mais profundos mais escondidos da pessoa.
A criança sonha, cria fantasia do que ela será e ainda não é. Os sonhos e os desejos da criança dificilmente se expressam conscientemente. Estes sonhos, estes desejos fazem parte dos impulsos primários a procura do prazer da satisfação dos desejos mas os impulsos secundários também são frutos de conflitos entre desejos e defesas, compromissos recalcados no inconsciente que também são a procura de satisfação, porém de satisfação realista levando em conta as possibilidades reais de satisfação estendida no tempo. As fantasias como os sonhos procuram realizar os desejos não satisfeitos.
Os sonhos e desejos do adulto, muitas vezes são mera fixação
de imagens prazerosas da infância.
Em toda esta procura de satisfação, a procura do amor é
a maior. O amor estará sempre ligado ao nosso primeiro amor, o amor
da mãe que providenciou a satisfação de todas nossas
necessidades de criança. A procura do amor seguirá também
o sentimento da nossa incompetência em se realizar sozinho e a necessidade
de um ser complementar que tenha qualidades complementar das nossas.
Na sua procura de realização, a criança e mais tarde o adulto não identifica claramente o que procura e menos ainda as origens da fixação das suas procuras. Esta falta de identificação cria alias insatisfação e ansiedade.
No companheiro, na companheira, no marido, na esposa nós cristalizamos, nós simbolizamos o conjunto de nossos sonhos. Portanto, nós temos de um lado o impulso pela reprodução e do outro a vontade de compensar nossas limitações. Assim namorado, namorada serão companheiro, parceiro sexual, parceiro no ato da reprodução da espécie. Não é por acaso que ele ou ela será a cristalização de nossos sonhos. O impulso pela complementaridade e o impulso pela reprodução, o libido são os mais fortes dos nossos impulsos primários ao lado do impulso pela manutenção orgânica, a fome.
Mas a procura pelo parceiro ideal é cega. Pois não sabemos claramente, conscientemente o que procuramos que se esconde no nosso inconsciente. Por isso somos incompetentes para avaliar a capacidade dele ou dela de satisfazer nossos desejos e nossos sonhos.
Ao casar pela primeira vez, uma menina por exemplo com 20 a 25 anos, cristalizou no seu marido todos seus sonhos, seus desejos mais profundos, suas fantasias e pensou que ele podia ser portador de tudo isso. Provavelmente ela não estava consciente de tudo que ela queria do que ela procurava. Ela apenas sentia isso como nas pontas dos dedos. Assim ela nem se perguntou, nem podia se perguntar se ele seria capaz de ser a realização dos seus sonhos. Ela provavelmente, como muitas se casou por amor. Ninguém pode se casar por amor. O amor é cego e impede de avaliar as chances de criar um futuro feliz. A única verdade é : não pode se casar sem amor. Pois ao amor será pedida a força necessária para vencer as dificuldades do casamento.